Whatever.

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Goiânia
"Advinha-me, esquenta-me com sua advinhação de mim" C.L.

domingo, 2 de setembro de 2012


AMOR,


Sinto que você vive em mim

que cresce em mim

devagar, demoradamente, preenchendo todos os vazios

tão lento e profundamente

que nada entre nós é devastador

e nada nos estremece



Sinto-me compreendida quando seus olhos penetram os meus

Sinto segurança na sua voz, ternura no seu abraço,

Cuidado em suas mãos

E imenso prazer em estar ao seu lado.



Seu sorriso acalma meu coração,

Alegra minha alma

Desperta o que há de bom em mim

Permita que eu caminhe sempre ao seu lado

Quero multiplicar sua felicidade

E dividir qualquer dificuldade

Quero ser tudo o que lhe faltar.



Percebo que seremos inabaláveis

Firmes.

Porque crescemos sobre as verdades e não sobre aparências,

Porque nos enxergamos como seres humanos e eternos e não apenas

Como corpos que se encontraram.


Permeia entre nossos corações, um bem querer profundo

que firma no solo como uma raiz

o amor que floresce aos cuidados de uma compreensão infinita!


Ana C. Fernandes

02/09/12

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Essas coisas de final de ano..

Tentei evitar isso, mas não pude. Quero me despedir de 2011 com algumas palavras.


2011 foi um ano muito estranho.. Foi um ano que não começou bem, um ano em que eu deveria ter sido mais corajosa e dito não quando me decepcionei pela primeira vez, quando fui abandonada pela primeira vez.. Eu deveria ter dito não e continuei a dizer sim. E embora eu quisesse acreditar que estava agindo certo, percebo que só estava adiando um final que já estava pre-determinado porque não queria toda essa tristeza.

No entanto, foi também o ano em que tive a coragem e persistência para concluir a mais importante fase da minha vida, pelo menos até agora, a faculdade. Portanto, foi um ano extraordinário. Nunca imaginei que seria arquiteta, nem mesmo quando estava dentro da faculdade cheguei a pensar que aquelas noites infindas fazendo projeto teriam fim. Sei que as coisas só pioram agora, mas eu não imaginava que realmente teria fim.

A gente sempre acha que o futuro está distante demais, mas não está. Ele está sempre a um passo de nós e no outro dia já passou. Mas a melhor coisa sobre futuro e sonhos é que eles sempre existem, mesmo quando não realizamos alguns sonhos, ou quando os realizamos, sempre existe um futuro para nos trazer novos sonhos ou realizarmos os antigos. Eu ainda tenho os mesmos sonhos, parece que nada mudou. Podem dizer que agora sou arquiteta, que já sou adulta, mas eu ainda tenho os mesmos sonhos.

O engraçado é que a vida se encarrega de nos mostrar quais sonhos realmente valem a pena, por quais devemos lutar; ela se encarrega de nos mostrar quais são as pessoas que vão estar conosco e aquelas que devem permanecer longe.

Mas no fim das contas, se a gente não é o tipo de pessoa que deixa escapar os detalhes mais importantes, a gente percebe que quando as coisas estão assim, tudo bem, tudo calmo, mesmo quando existe uma dor ou uma saudade, mesmo quando existe alguém que vc acha que nunca vai esquecer, chegar ao fim do ano e ainda ter seus amigos e família, e ter conquistado algo tão importante como se formar, e ainda ter um milhão de sonhos para realizar, isso é viver o próprio sonho.

Todos temos um milhão de planos para 2012, mas viver 2012 e aproveitar cada momento dele como Arquiteta e Urbanista, com minha família e meus amigos... Isso já será viver um grande sonho para mim. E se a vida se encarregar de me dar mais presentes, não vou achar ruim, não mesmo!!

Feliz 2012 para vocês!

sábado, 16 de abril de 2011

Ecos de minha alma

A sua voz carrega o tom do desencanto
Eu não vou mais cair em prantos
Eu não vou mais cair em prantos
O que eu já fui, eu não sou mais
O que me deu, já não dá mais
Eu não vou mais, eu vou não mais
Eu já não quero lhe dizer
Sinto falta de você
Sinto falta de você
Esse medo que eu carrego
Já me alerta
O fim é certo, o fim certo
Essa ausência ainda me mata
Seu silencio é uma charada
Eu já não posso carregar
A sensação de não ser nada
Eu não sou nada, eu não sou nada
Se for difícil me dizer
Não precisa se conter
Eu já sei
Que o meu amor não lhe faz bem...
E quem eu sou? Não sou ninguém
Não sou ninguém.. Não sou ninguém
Não quero ser seu grande fardo
Não quero ser o seu atraso
Eu não vou ser, eu não vou ser...
Eu sei que sou, não quero ser..

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Canção de Espera

Bom, às vezes a tristeza só sai em forma de canção, e embora eu não saiba cantar e tocar, eu fiz a letra e a melodia para guardar e aguardar meu amor.


Ah meu amor,
Se soubesse com quanta ternura eu te espero,
Guardaria em teu seio, aquilo que no meu seio,
Só pulsa dizendo eu te quero


Vem meu amor,
Eu sei que existe, o motivo persiste
Há razão, apetite
Pra durar toda uma vida


E se a saudade não tem
Outra razão pra doer
eu vou ter que dizer ao mundo essa dor


Em meu coração já não cabe
E ao meu corpo não cabe
Amar e sofrer


Eu sei que você sabe
Já é hora, é tarde
Pra esse amor acontecer


E se eu não for bom motivo
Eu digo, eu persisto
Serei pra ti o teu céu
Serei o porto no mar
Venha ao meu encontro
 Meu amor


Ana C. Fernandes

domingo, 10 de janeiro de 2010

Não é outra carta de amor.


Nossas maiores lutas envolvem o amor.
O amor pela carreira escolhida, o amor pela família, o amor pela pessoa com quem queremos passar o resto de nossas vidas, o amor próprio. Enfim, o amor próprio.
Quando todas as formas de amar estão em jogo, é ele quem estraga tudo.
Amor próprio, uma questão de auto-piedade ou de exaltação?
Amor entre duas pessoas, uma forma de altruísmo ou de cobrar muito carinho e atenção de alguém?
Amor pela carreira, uma questão de se abster de muitos prazeres ou uma verdadeira obsessão?
Amor pela família, uma sensação nata de bem estar ou uma obrigação?
Quais são as palavras, os números e a escala em que se insere o amor?
Como eu poderia falar de amor com tantas verdades que me afastam dele?
Penso que se houvesse mesmo em mim alguma coisa movida “à amor” haveria de ter também sentimentos de caridade, de compreensão, de altruísmo, de dedicação.
E há?
Há, mas acredito que sejam apenas sementinhas.
Então são todas sementinhas de amor que deveriam ser cultivadas.
E não é porque só colheremos se o plantarmos, é porque sentiremos amor se o cultivarmos, o amor não é nada que se colhe, é alguma coisa que se dá e que fica em nós como o perfume das flores que damos.
Então, se tenho que ir mesmo à luta, que seja pela causa certa.
Por isso, amor da minha vida, me acolha em seus braços agora, porque eu vou ter que ser muito forte pra entender que não posso te amar querendo, só te posso amar.
Não posso pedir que fique comigo pra sempre, mas posso fazer o meu melhor pra ser alguém que te faz ser melhor.
Também não posso dizer a minha família que me aceite, eu posso aceitar quem eles são agindo de uma forma que não os agrida. Eu não posso tentar ser a melhor na minha profissão, mas posso me dedicar ao máximo para que tudo que eu faça seja feito da melhor forma que eu poderia fazer,
carregar a consciência tranqüila é tudo que muita gente gostaria de ter.
A partir de hoje, começo a sentir minha alma leve, e quero senti-la cada dia mais leve, como os coqueiros que praticamente dançam quando bate o vento.
Quero ver a semente dar frutos, e quero fazer isso tudo porque você me faz enxergar a vida como um grande caminho a ser percorrido, um caminho em que se vai sozinho ou acompanhado, mas um caminho em que se vai de qualquer forma.
E eu, meu amor, quero ir ao seu lado, e sei que pra segurar a sua mão, eu terei que fazer de mim uma grande árvore de amor.
Quero ser alguém que saiba compartilhar os pequenos momentos com a alegria de quem admira as mais lindas paisagens.
Alguém que saiba esperar o tempo que for preciso para florir e te dar essa flor.
Alguém que entenda seus defeitos porque só entendendo alguma coisa é que se pode dar o próximo passo. Alguém que realmente saiba ver o amor aonde exista apenas uma sementinha pra ser cultivada pelas quatro mãos.

E depois disso tudo, já me sinto maior, sinto que terei orgulho da minha vida porque a minha sementinha insiste em dizer que ama vc.
Ana C. Fernandes.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Diante do nada.

Em alguma parte de um livro da clarice, uma de suas personagens se encontrou diante do nada. Entao, não pude evitar, essa expressão trouxe à tona tudo que eu queria dizer e não conseguia, coisas passadas, coisas atuais, coisas que nem sequer existiram, mas que queriam ser ditas. Está aqui, como passe de mágica, as palavras vieram até mim, boas ou não, eu tive que escrevê-las. E não está em questão a veracidade dos fatos ou a qualidade do texto que elas formaram, mas a intensidade com que vieram diante da imensidão chamada Clarice Lispector.

Quando eu disse eu te amo, ela disse “certo”, um certo sem coragem de me reprimir. Eu tentei explicar melhor e ela disse que havia entendido, um entendimento sem questão de respostas, ela se encontrou num abismo, ela se deparou diante do nada que ela sentia.
Como ela poderia se apresentar assim diante do nada? Eu me apresentaria nua, nua fisicamente e nua de alma. No máximo, me apresentaria com uma cor nos lábios, da maldade inocente que é saber que poderia provar do pecado, porque no nada não existe certo ou errado, existe a indiferença. Mas ainda assim, eu espero que exista amor, ainda que nao exista alma, pois há de existir uma lugar, mesmo que seja o nada, em que o amor não seja tudo aquilo que a gente quase perde por um triz.
É assim que eu me sentia, completamente incapaz de fazer alguma coisa pra não perder o amor, o meu amor, o amor que ela sequer sente, porque ali o que é ou será, seria ainda que eu não queira e não deixaria de ser pra que eu pudesse ser feliz.
Então diante do nada, a gente ficou por mais de um segundo e por mais de um milênio para que eu pudesse pensar em tudo isso. E enquanto isso, os olhos dela brilhavam a luz da lua que ela admirava e os meus brilhavam olhos dela iluminados do luar em que estavam.
Quando ela voltou o olhar pra mim, eu tinha na face duas lagrimas: uma da dor de existir, outra da dor de amar. Ela ia perguntar alguma coisa, mas eu fechei os olhos e ela não ousou me atrapalhar. Ela sabia que eu ia embora, eu tinha acabado de morrer por esse amor em vida e no nada eu iria viver de morte: morte da dor de amor, de dor de qualquer outra coisa que alcançasse o coração.
Agora, a única coisa que sinto na ausência de vida é a presença dela, porque a sinto ainda que ela não esteja aqui. E ainda amo, mesmo que não haja amor, meu amor é suave e doce, porque não é real, porque é real, porque não existe, porque é mais real que a própria realidade, porque no nada, nada importa, a n ser esse amor, que não é pesado, e que não dói, que me alimenta desde que deixou de ser o amor que te queria pra mim e passou a ser apenas amor.
Ana C. Fernandes

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Inventando

Eu sou a GRANDE SABOTADORA. Sabotadora da minha própria felicidade. Sei o que quero, busco, busco enquanto pulsa forte o coração, mas qd grita a razão, fujo, fujo para tão longe que me perco dentro de pensamentos esquecidos, coisas arquivadas e perdidas pelos caminhos que tentaram levar e lavar minha alma. Caminhos estreitos, de dificuldade certa, mas de felicidade futura. E quem fala mais alto? Grita imponente meu coração.
Meu coração quer tudo de uma única vez, almeja a felicidade agora, e por muitos agoras, de quase tudo ele é capaz. Ele quer paz, mas oras! Há razão dentro de mim!!!!!!!
Então sou feliz se posso sonhar, mais sonho do que vivo, ou melhor, como prefiro dizer, vivo no mundo que escolhi, existe o mundo real e o imaginário, este último parece real pra mim. Sonho com palavras, frases ditas, olhares, sorrisos, beijos, abraços. Sonho com um grande dia, sem restrições, em que serei eu da forma mais minha que eu possa ser.

Escondo da razão o que quero nesse mundo. Completamente desprovida de limites físicos, vivo facilmente qualquer coisa que transcenda este mundo.
A dor, aquela "tristeza de quem ama", não me faz menos feliz. Se amo, me encontro. Um encontro de faz de conta, mas que conta muito pra mim. Tristeza pra mim é partida esperada de novos sonhos: do amor ficam as dores, novos sabores e cores.
Mas às vezes ainda não sei quem sou. E quando eu disser que não sei, minto. Eu sempre sei. Sei porque pensar faz parte daquilo que melhor eu sei fazer, penso tanto que não descanso, não se descansa com um coração assim. Então sou sincera, faca de dois gumes, ao mesmo tempo em que alivia, culpa a verdade de se assumir.
Nessas horas, já não sei o que faço. Ser humano é justamente isso, sentir coisas provenientes de todo tipo de plantio que há no mundo. E contraditoriamente, ser humano é poder escolher deixar-se levar ou não por essa gama de sentimentos e vontades que aflige todo ser.
Penso então, e sinto que devo pensar, que não sou desse mundo. De onde eu venho deve ter explicação pra tudo isso, há de haver razão naquilo que o coração diz, e há de a ver sentimento naquilo que penso. Penso e ajo as vezes com o coração, penso e não ajo, ajo sem o coração, sinto que deveria ter pensado, penso que não deveria ter amado, amo como não se pode pensar: continuo a me inventar.
Ana C. Fernandes.

sábado, 31 de outubro de 2009

A última carta



A forma como duas pessoas se conhecem às vezes pré determina a forma como elas vão se separar, mas nunca mostra como isso pode doer.
Quando eu vi seu rostinho lindo pela primeira vez e o sorriso que vc me lançou, eu pensei: é minha vez de ser feliz! E cada gesto, cada palavra, tudo me mostrava como era especial essa pessoa que estava entrando na minha vida.
Fui egoísta, quis ser feliz, e por isso me entreguei pra vc que era aquela pessoa perfeita, aquela que todo mundo procura, coisa de príncipe e de princesa. Tola que sou, devia saber que conto de fadas não existe.
No fundo eu sabia, mas fechei os olhos e deixei vc me conduzir. E vc me tirou pra dançar e a gente dançou no céu, nas estrelas, a gente mergulhou no fundo do mar e andamos em cavalos marinhos.
E eu, que nunca soube o que era ser amada, me senti tão segura que poderia voar sem asas, poderia pairar sobre as flores e entre as flores beijar meu beija-flor.
Mas eu, que só aprendi a ser desprezada, deixada de lado e de canto, não me contentei com a alegria que isso me proporcionava. Como pode um ser humano tão estranhamente desprezar a felicidade?
É que não sou humana, eu não sou daqui. Talvez se teu sorriso não fosse tão lindo e seu coração tão grande e vc tão perfeita eu ficasse em paz. Mas não pude, fui sincera desde o começo, eu não sou daqui, lembro-me bem como eu disse. E vc disse que não tinha problema, e eu disse que não sendo daqui não poderia te fazer feliz e vc pediu que me calasse.
E agora que percebi que minha incapacidade de te fazer feliz já estava refletindo na ausência daquilo que te faz única, seu sorriso sincero, te deixo, e deixo a certeza de que vc precisa ficar, pois o lugar em que vivo é sombrio e a solidão é a única comida pra quem tem fome.
Nessa separação, cada um leva o que trouxe. Vc fica com seu sorriso lindo, por favor carregue a paz, o caráter, o olhar verdadeiro, a persistência, a vontade de vencer na vida. Deixa que eu leve a dor, pois foi eu que a trouxe. Quero-a toda pra mim, por favor. A única coisa que vamos dividir, se vc quiser, são as lembranças, pois são tantas e tão boas que podemos dividi-las infinitamente sem briga.
Ana C. Fernandes

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Agora

Quero que fique onde está
Não se mexa,
Não ouse piscar.

Quero ver o brilho dos seus olhos
E o lacrimejar dos meus diante dos seus,
Nos seus.

Quero sentir o seu cheiro
E a textura da sua pele,
Minhas mãos no seu cabelo,
no seu rosto,
A certeza de que é você.

Levemente,
seus lábios nos meus,
sua respiração na minha,
O ar quente que quase me sufoca,
me faz sentir segura.
A certeza de que sou eu.

Então me envolva nos seus braços
E diga mais uma vez
Que já estamos bem.

Deixa que nesse abraço
Eu me esqueça
Eu me perca em você,
Dentro de você.

E quando eu disser que sim,
Sorria,
O seu sorriso é a felicidade que eu preciso
para poder te amar.

A sua paz é a força que
Eu preciso pra continuar,
Na luta,
Na disputa,
dos dias que se acabam
que aos poucos me apagam
E não reacendem a luz que eu tenho
diante de você.
Perto de você.
Com você.
Por você.
Para você.

Ana C. Fernandes.




sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Para todo o sempre



Quando penso no mundo, imagino uma esfera girando em sentido horário e as pessoas correndo ao redor da mesma esfera em sentido anti-horário. Às vezes, as pessoas correm tanto que eu acho que elas vão mesmo conseguir dar uma volta no mundo antes do dia acabar. E embora cada pessoa tenha uma vida única, todas elas estão na mesma vibração: chegar lá. Onde? Lá. Lá onde? Lá onde elas pensam que vão chegar, oras. Mas não, nenhuma delas vai chegar lá assim, não assim. Estamos todos correndo para o ponto zero.

Calma, o ponto zero não é o fim, mas o começo, ou melhor, o recomeço. Mais um dos inúmeros recomeços em que nos embarcamos nessa jornada eterna em que sempre acabamos por nos desencaminhar.

Do que eu estou falando? Estou contando pra vc a sua vida. Essa vida em que cada um de nós adormece pensando no que vai fazer amanha e acorda com a vontade de que o dia termine logo.

E de repente, como num passe de mágica, vc esquece tudo. Vc esquece o vestibular, a faculdade, o trabalho, as dívidas. De repente, tudo aquilo que te atormentava o tempo todo desaparece, sabe por quê? Porque chegou seu ponto zero. Aquele ponto em que vc é colocado diante das coisas mais importantes da vida, aquele ponto em que nada, a não ser o que acaba de acontecer, importa. E nessas horas, geralmente o que importa é uma perda muito doída: o melhor amigo, um pai, uma mãe, a saúde, a própria vida.

E é assim, nem lá no céu, nem lá onde dizem ficar o inferno, é aqui mesmo na Terra. É aqui que vc percebe o quanto essa vida que levamos é mesquinha e o quanto somos pequenos. Nada mais importa, nem a melhor nota, nem o melhor carro, nem o melhor emprego, nem o cabelo mais liso; todos ficamos sob a mesma condição, humanos frágeis, miseráveis, pequenos diante da imensidão de uma força maior alheia à nossa vontade, mas que só existe porque nós estamos correndo no sentido contrário, mesmo sabendo que o caminho certo sempre esteve aqui, a qualquer hora, antes mesmo que o grande homem precisasse descer das estrelas e dizer: eu sou o caminho, a verdade, e a vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim.

Só então vc percebe que deveria ter sido melhor. Não o melhor aluno, mas o mais atencioso. Não a melhor esposa, mas a mais amorosa. Não o mais bonito, mas o mais paciente. Uma pessoa esforçada sim em seus ideais terrenos, mas ainda mais interessada em chegar num lugar chamado consciência limpa, com o sentimento de dever de ser humano cumprido, paz na alma e no coração, porque só isso pode te levar ao destino único de todos nós, a verdadeira felicidade.

E tudo isso apenas porque o que importa nessa vida é um tanto de amor e respeito em todas as situações, do começo ao fim do dia, para todo o sempre.

Ana C.

domingo, 19 de julho de 2009

Um possível capítulo - Quem sou eu.

Não será muito fácil vc me entender se vc não seguir as regras, eu tento sempre seguir as regras e é por isso que sou assim, estranha para alguns, especiais para outros, enfim, ngm sabe ao certo quem eu sou de verdade, mas as regras não são muitas, eu as resumiria em uma única frase, que não é minha: Faça aos outros apenas aquilo que gostaríeis que fizessem contigo. Por isso minha vida é assim, as coisas às vezes parecem n ser boas, mas é uma questão de tempo para eu perceber que agi certo. Algumas pessoas me repreendem por isso, eu espero que algum dia elas me desculpem e entendam que nada do que eu fiz até hoje foi por mal, os erros que cometi com os outros foram atitudes que eu interpretei como certas, e como nem todos pensam igual, tornaram-se erros. Mas o que eu fiz em relação a mim tentando acertar e me enganei, não chamo de erro, mas de aprendizado, os piores momentos da minha vida trouxeram grandes felicidades. Porém, de fato, sou estranha. Peça-me para provar algo novo e experimentarei o de sempre. Nem sempre, é claro, mas confesso que me delicio com os mesmo sabores, cores, e lugares, não é que eu não saia da rotina, apenas gosto de saber o que estar por vim, o que não é menos emocionante do que uma surpresa se vc faz sempre o que gosta. No mais, tenho muitos defeitos. Dizem que sou inteligente, mas estão equivocados, esforço-me apenas para estar na frente porque não sou segura o suficiente para ficar atrás. Dizem que sou esforçada, mas não tenho mérito nisso, as circunstâncias sempre me foram favoráveis. Também dizem que sou ciumenta e possessiva, acho que estão certos, sou como alguém que tenta segurar a água fechando as mãos, como se ela não pudesse escorrer por entre meus dedos. Então eu me pergunto se eu gostaria que alguém tentasse me segurar assim e me dou conta de que não sou exatamente a pessoa que consegue seguir as regras. Pelo menos eu tenho a certeza de que também posso escorregar por entre os dedos, todos podemos, até aqueles que mais amamos e a quem mais nos damos, até esses porque o que não é do interesse de alguém pode sufocar mesmo sendo tão bonito quanto é o amor. O que eu mesma não acredito, porque se um de nós, ou melhor, se eu fosse capaz de amar de verdade eu não ousaria fechar a mão. Mas peço, entretanto, que segure a minha mão, seja egoísta e, se possível, não me solte, nem mesmo se eu gritar e quiser sair correndo, ou escorrendo pelo seu braço. Eu preciso mesmo que fique e me sufoque de amor, deixe que me falte o ar, mas não me deixe só. Às vezes que tentei voar voltei porque alguém me segurou quando caí, por isso preciso ficar aqui, eu sempre me lembro de dizer à gravidade que não se esqueça de manter-me no chão. Mas ainda assim, acredito que tenho coisas boas, tenho pelo uma sementinha de amor pra cultivar aqui dentro, e acho que todo aquele que tenta seguir as regras já é virtuoso, mesmo que falhe às vezes, afinal, aquele que sempre acerta não precisa mais de regras e, conseqüentemente, pode partir em direção da luz.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Apenas um Prefácio

Lamento nunca ter escrito um diário. Sempre achei que diários eram tolice, mas percebo agora que, se eu tivesse um em minhas mãos, seria de grande ajuda. Diários descrevem o seu dia, eu sempre quis mais, não digo mais que um dia, digo mais do que se pode escrever sobre o dia. Nem sempre pode tratar-se do dia como uma marcação de tempo, há mais em único dia do que os segundos poderiam contar, entre um segundo e outro, pode haver a imensidão de toda uma vida ou a percepção de que nada foi essa vida. Não sei por que falo dos dias, talvez eu nem percebesse os dias, às vezes tenho a impressão que passei pela vida escondida dos dias, presa numa espécie absurda de bolha de pensamentos ridículos ou torturantes. Porém desejo mais do que nunca dar um salto, queria pular para vida, ou seria da vida? Ainda não sei, mas não posso pular daqui, li em algum lugar que não se pode ir tão adiante sem voltar um pouco, é preciso dar uns passos para traz a fim de conseguir o impulso necessário para dar um pulo. Por isso estou tentando voltar, saber ao certo como cheguei até aqui, mas não me lembro de tudo e não tenho tantas certezas, não sei exatamente em que ponto começa a minha história e a história da minha vida, se ficção e fato se misturarem aqui não me julguem mal, é que talvez minhas maiores verdades não tenham sido vividas ou eu tenha vivido verdades tão sombrias que acreditei não tê-las vivido. Se minha mente conseguisse lembrar porque eu insisto em escrever talvez eu pudesse parar por aqui e não torturasse vocês com tantos pensamentos vagos, mas não há razão nenhuma a não ser esse imenso fogaréu que me consome por dentro as palavras que, de tão sufocadas, saem como fumaça das minhas mãos. Tenho a sensação de que as vezes não escrevo por mim, as vezes as palavras que solto formam frases que não poderiam fazer sentido se algum sentido eu procurar na minha vida, sei que há um sentido em minha vida, e abusando dessa palavra, tenho sentido muito esse sentido nos últimos dias, mas não vejo porque ele me conduz a escrever. Às vezes penso que as palavras precisam sair pra eu respirar, mas a verdade, se é que a verdade poderia sair de mim, é que me alimento das palavras que escrevo, vivo porque elas me mantêm viva, ou talvez não vivo porque elas me alimentam a inexistência. Mas pra mim, tanto faz, há vida na inexistência, há um imenso e aconchegante não ser humano que me conforta e me aquieta. Há um não ser humano extremamente prazeroso na imensidão da inexistência, que de forma alguma é a morte. A inexistência que digo é um estado de alma em que as coisas ao seu redor não mais lhe afligem, nem te tocam, nem te fazem chorar ou sorrir, é um momento único em que se pode deixar de ser o personagem e ser o observador da vida, e então pode-se ver a felicidade em câmera lenta e as pessoas que passam por vc, pode se olhar o que elas falam com a alma porque vc não vê que está tão perto dessa pessoa, olhando-a nos olhos, de uma forma que sobriamente ninguém ousaria. Enfim, a inexistência pode ser repleta de vida e boas recordações, talvez tenha sido na inexistência que eu tomei consciência de que se eu não tornasse tudo isso uma verdade escrita, e verdade apenas porque tangível, não porque não seja mentira, o que não implica em dizer que as coisas não tangíveis não sejam verdades, até porque acredito que minhas maiores verdades nunca poderão ser tangíveis, eu não poderia prosseguir, não há como prosseguir se eu não voltar, estou tentando voltar, porém temo em me perder no caminho, assim como se perderam João e Maria, mas João e Maria se perderam num conto de fadas e não em suas próprias vidas, o que me alivia bastante, ou me apavora muito, porque quem sabe, temendo a verdade, eu tenha entrado num mundo de fantasias.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma poesia À parte, a partir da parte de mim que agora é você.

~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~
De repente, nao mais que de repente
~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~
De repente,
Assim tão repentinamente
Do caos, fez-se a calmaria;
Do pranto, o encanto
Da noite, o dia.

~~ ~~ ~~

De repente,
Ainda que sutilmente,
Veio-me a vida falar de amor
Mostrou-me novos rumores
Novos tons, perfumes
Novos sabores.

~~ ~~ ~~

Assim foi que vi
Azuis, rosas, brancas e amarelas
Borboletas belas
Voando dentro de mim
Brincando entre as flores
Dentro do meu coração, um jardim

~~ ~~ ~~

De repente,
Mais do que nunca, intensamente!
Chegou o amor, ao coração
Do coração ele expulsou, deixou sozinha,
A própria e impertinente solidão

~~ ~~ ~~

De repente
E digo, finalmente,
A alegria renasceu
Do seu sorriso, fez-se o meu
Da sua presença, a minha existência
Da sua existência, a minha esperança
Da tua mão, a minha segurança
Da sua luz, o meu caminho
Do seu caminho,
A minha vida.
Da sua vida, o meu ninho.

Ana C. Fernandes.

sábado, 6 de junho de 2009

Como sempre estive, completa de prazer, nua de corpo e alma.

Não entre.
Deixe que eu chore em paz.
Se minha cabeça não agüenta mais, tão pouco agüenta o coração.
Eu quero a porta fechada, não abra, não mexa em nada.
Deixe meus livros no chão,
Deixe minhas roupas onde estão,
Eu quero a cama desarrumada misturada com os cacos do meu coração.

Não importa que a chuva entre pela janela
Depois a água evapora se o sol entrar
O que o sol não cura é a ferida doída,
Mordida e lambida da sua infinita ausência.
Indiferença sem fim
Fez tão forte a minha dor
Fez tão pouco caso do amor
Só esqueceu-se de levá-lo de mim.

Não suporto portas entreabertas, palavras contidas
Egoístas, escondidas.
Desprovidas de emoção
Camuflando a intenção
De degustar-me inteira
E depois deixar-me inteira
Ao sabor da solidão

O quê vc sabe bem fazer
É roubar-me toda a calma
Acabo vazia de vc, completa de prazer
Nua de corpo e alma.



Ana C. Fernandes.

Não me deixe só, solidão.

A música acabou e o ultimo verso ficou rondando minha cabeça. “Ela apareceu, parecia tão sozinha. Parecia que era minha aquela solidão”.
Um triz e eu não percebo o que estava acontecendo.
Há quem roube os sonhos alheios, eu roubo a solidão.
A solidão é meu maior refúgio, minha maior beleza, minha maior alegria e minha maior tristeza. Não sei andar sem ela, nunca andei. Por todos os lugares por onde passei, ela me deu a mão, me segurou forte, me disse sim, me disse não. Fez de mim menina só, menina grande, de grandes sonhos, de grandes chances, de grandes feitos.
O teu cheiro, o teu beijo, o teu abraço. O seu perfume eu sinto de longe. Um sorriso doído, um olhar perdido, e eu sei que é vc, te roubo pra mim. Não suporto que seja de outra, não me contenho, vou lá e me dou em troca de vc, me dou até que vão todas embora, e te deixam pra mim. Dou-me tanto que te entregam inteira, e se não entregam eu lhe roubo, tiro-te toda, e tiro sem pudor, sem a vergonha de quem faz alguma coisa errada.
Será pra sempre minha, solidão. Se alguém um dia te tirar de mim, acho que padeço, não conheço outra companhia que me complete, que me conheça, que caiba nos meus sonhos, que entenda meus pensamentos.
Quero-te sempre, e te quero toda. Abraça-me forte solidão, durma comigo essa noite e todas as noites, amanheça aqui, fique aqui, não deixe que ninguém se aproxime e não me deixe por ninguém. Não há nesse mundo alguém que te quer tão bem.
Não me deixe só, solidão.

Ana C. Fernandes



domingo, 31 de maio de 2009

Algumas palavras dela

Ela disse que eu tinha um dom, eu ensaiei um sorriso.
Eu sabia conquistar as pessoas, eu não fazia nada que n fosse da minha maneira de ser e ainda assim eu simplesmente conquistava as pessoas.
Vc atrai as pessoas com seu carisma, e vc as afasta quando deposita suas esperanças nelas. Eu fingi que já sabia.
O fato é que, quem atrai as pessoas, as atrai porque precisa delas, e precisar é um dos maiores perigos de viver, quem precisa e não tem, acaba por querer demais.
E ela, ela sabia que não dava pra ser e mesmo assim não foi embora, então eu tive que expulsá-la, chorando, mas tive, porque se ela não vai embora e ainda assim não me alcança, ao mesmo tempo em que eu não a perco, eu não a tenho, e não perder o que não tem, é pior que sonhar que se tem o que não se pode ter.
Quando é assim, dói menos perder de vez do que aos pouquinhos, porque aos pouquinhos a gente também some, há um vazio que consome e não devolve, há um não querer-te que te mastiga; e de uma vez a gente cai, mas depois levanta.
Por isso hoje eu sou direta, eu aviso logo que se vier tem que vir pra ficar, pra me suprir e não me matar. Se quiser, vai ter que me engolir de uma vez, fazer de mim teu capricho e deixar-me as mãos pra que eu possa segurar.
Eu não suporto pessoas que me querem pela metade, eu não existo sendo meio amiga, meio Irma, meio filha, meio mulher. Eu só existo completamente, intensamente, inteira com todo o amor que existe aqui.
Há quem diz que quem vem com tudo não alcança, que o que vem de uma vez assusta. Pra ser sincera eu entendo, mas não mudo. Eu até tento, mas não mudo.
Quem quiser então vai ter que se assustar mesmo, vai ter que ser mais corajoso e mais rápido, antes que eu vá embora, porque nos últimos tempos eu aprendi a ir embora antes de me machucar, a partir antes que partam o coração.
Esse é o dom de quem vive cada momento, de quem faz cada momento intenso o suficiente pra começar ou terminar aquilo que nem sequer estava nos planos. Esse é dom de querer demais e dar demais, esse é o meu dom e o meu maior castigo.

Ana C. Fernandes.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sobre a plenitude do amor.

Esse texto é meu, mas não é pra minha mãe. Ontem eu estive com uma amiga e doeu muito em mim a situação em que ela se encontrava. E doeu mais ainda porque eu lembrei que minha melhor amiga também passa pela mesma situação. E finalmente, doeu demais quando eu pensei que muitas, muitas pessoas mesmo passam pela mesma situação. Então eu me coloquei no lugar delas, eu pensei em cada dia, em cada momento, e foi tão difícil pra mim que eu resolvi escrever uma carta, não pra minha mãe, porque a minha mãe e a minha família conseguem entender o significado do amor, mas muitas mães não. E é para elas que escrevo, em nome de todas as pessoas que amam e querem ser amadas, independente de quem amam.

Mãe,
Estou escrevendo porque não sou corajosa o suficiente pra te dizer tudo o que eu preciso olhando-te nos olhos. Mas eu estou escrevendo porque eu te amo incondicionalmente, vc é a pessoa mais importante que existe na minha vida e está sendo muito difícil pra mim, principalmente nos últimos tempos, conviver com uma decisão que eu gostaria de não precisar tomar. É difícil ter que escolher entre a minha felicidade e a sua felicidade.
Sei que a princípio isso não faz sentido, com certeza você quer meu bem e a minha felicidade é o motivo da sua, assim como a sua felicidade também é motivo da minha. Porém, eu não estou bem, meus dias estão difíceis e doídos.
Eu queria muito, muito mesmo, poder te contar sobre os meus sentimentos, sobre meus amigos, sobre as coisas que a gente faz junto, e principalmente, sobre as pessoas que se aproximam do meu coração.
Infelizmente mãe, eu não sou aquilo que você sonhou. E isso me dói de uma forma que vc não pode sequer imaginar. Eu queria que vc se orgulhasse de mim, eu queria que vc soubesse que é muito importante pra mim a sua participação na minha vida.
E é justamente por isso que estou escrevendo, porque não agüento mais ter que esconder de você o sentimento que é, por excelência, o mais lindo de todos; aquele que move a vida das pessoas, que fazem elas sonharem e crescerem, que faz elas se unirem e construírem uma vida juntas. Esse sentimento não tem cor, não tem raça e, principalmente, não tem forma de mudá-lo. A esse sentimento, chamam de amor.
É isso mãe, eu queria que vc pensasse sobre o amor, sobre como o amor te fez feliz, sobre como ele moveu a sua vida e queria que vc pensasse em como é difícil ir contra esse sentimento.
Eu queria que vc entendesse que por mais que eu tenha tentado, eu não consigo gostar de nenhum garoto, de nenhum rapaz, isso nunca aconteceu e provavelmente não vai acontecer, porque eu me sinto atraída por meninas e são elas que me completam, que me fazem sorrir, que me fazem feliz.
E não é isso que vc quer pra mim mãe? Vc não me quer sorrindo? A minha felicidade não é a sua felicidade?
Sabe, muitas pessoas pensam, e talvez vc tbm pense que isso é uma coisa promíscua. Mas não é verdade, a promiscuidade existe em todos os lugares e entre todos os tipos de pessoas.
Eu só quero a chance de fazer uma pessoa feliz com o seu consentimento, fazer essa pessoas feliz me faria mais feliz ainda, eu só queria poder abraçar essa pessoa tranqüila, olhá-la nos olhos e deixar que ela me completasse, porque as pessoas não foram feitas pra ficarem sozinhas, a solidão dói, e tem me doído muito.
Se eu pudesse fazer um pedido, pediria não ter que escolher entre essa felicidade e a sua felicidade mãe, eu queria que vc ficasse feliz por mim, eu queria que eu pudesse te apresentar alguém e que nós três pudéssemos sair pra conversar, pra fazer compras, pra assistir um filme, como pessoas normais, porque eu sou uma pessoa normal mãe, e as pessoas normais amam.
E acima de tudo, eu amo você, e não quero fazer nada que vc não saiba.
M. C.
Ana C. Fernandes

sábado, 16 de maio de 2009

Resposta a uma amiga

Ousaram dizer-me o que sou
Ana é intensa, Ana é imensa
Ser feita de versos e estrofes
É sua maior sentença

Pois saiba, querida amiga
Que se eu fosse poesia
Ninguém sequer ousaria
Escrever-me sem amor

Se eu fosse poesia
Nenhum verso terminaria com amor
Pois certamente haveria
Alguém para rimá-lo com dor

E se eu fosse poesia
Eu seria incompleta
Porque não há palavra no mundo
Que de significado fosse repleta

Não haveria versos
Que de palavras tivesse fim
Não haveria rimas
Pra tantos eus que há de mim
Ana C. Fernandes

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Árdidas, sóbrias e verdadeiras palavras




Havia um garoto e havia um tuim, e havia ainda o imenso amor que o garoto tinha pelo tuim. Mas tuim é um bicho livre, um pequeno periquito que não sabe viver sozinho.

O garoto fazia de tudo para nunca perder o tuim, fechava as janelas da casa, andava com o tuim no dedo. Um dia o tuim escapou para o quintal e não voltou. Foi uma busca difícil e angustiante, até que o menino encontrou o tuim na casa de um vizinho.

Então o garoto resolveu cortar as asas do tuim, seria doído, mas seria mais doído para o menino ficar sem o seu tuim.

Um dia um gato pulou o muro e comeu o tuim.

Essa história não é minha, a minha história começa agora.

Eu não vou mentir, eu fiz de tudo para que vc estivesse sempre ao meu lado, eu procurei vc em todos os lugares, eu dei o melhor de mim, eu fui sincera e amiga, e te dei o papel da melhor da atriz.

E ainda assim, vc se foi, foi como o tuim que não queria ir embora, mas que precisava de outra pessoa, porque a ti meu coração n tinha serventia.

Talvez, esse tenha sido o golpe mais difícil dos meus dias, eu não estava preparada pra te ver partir. Seria hipocrisia da minha parte dizer que fui melhor que o menino, porque eu pensei, eu realmente pensei em ir atrás de vc e tirar-te as asas.

Eu pensei que talvez, se eu não te desse alternativa, vc ficaria cmg, e sonhei que seria feliz, que seríamos felizes.

Aí eu lembrei do seu sorriso, e do dia que vc ensaiou uma gargalhada fazendo uma brincadeira, um dia em que eu estava deitada no seu colo, na sua casa. E a cena do seu riso espontâneo, feliz, de quem realmente sentia-se bem, veio de encontro à imagem do tuim, cortado, sangrando, sem asas, e eu pensei no gato e em como ele não havia hesitado nem por um instante em comer o tuim.

Então eu chorei as mais tristes e libertadoras lágrimas da minha vida. Eu chorei pensando que, se não houvesse mais o seu sorriso, se a imagem do seu sorriso fosse substituída pela imagem da tua angustia diante da ausência da tua amiga, então haveria o gato de ter te comido. Mais do que isso, eu seria o garoto egoísta e, a tristeza, o gato, que impiedosamente haveria de te consumir.

E de repente, dei-me conta do amor, do imenso amor que nunca haverá de morrer dentro de mim, do imenso amor que me mataria se eu não tivesse a recordação doce da sua presença, do amor incapaz de te fazer infeliz.

Por isso eu te liguei, e conversamos, foi então que descobrimos o que havia acontecido no tempo em que me privei da sua presença. Foi então que trocamos elogios, lembranças, que rimos de coisas bobas.

Foi então que eu disse segura, com a mais engasgada garganta e com as mais árdidas, sóbrias e verdadeiras palavras que, se vc estivesse feliz, eu haveria de estar, porque nada nessa vida poderia ser mais bonito do que lembrar de vc sorrindo.

E quanto a mim...eu haverei de aprender muito com os tuins.




Ana C. Fernandes.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu sou a palavra da vez.

Um jogo de palavras e eu coloco tudo a perder, ou a ganhar.