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"Advinha-me, esquenta-me com sua advinhação de mim" C.L.

domingo, 19 de julho de 2009

Um possível capítulo - Quem sou eu.

Não será muito fácil vc me entender se vc não seguir as regras, eu tento sempre seguir as regras e é por isso que sou assim, estranha para alguns, especiais para outros, enfim, ngm sabe ao certo quem eu sou de verdade, mas as regras não são muitas, eu as resumiria em uma única frase, que não é minha: Faça aos outros apenas aquilo que gostaríeis que fizessem contigo. Por isso minha vida é assim, as coisas às vezes parecem n ser boas, mas é uma questão de tempo para eu perceber que agi certo. Algumas pessoas me repreendem por isso, eu espero que algum dia elas me desculpem e entendam que nada do que eu fiz até hoje foi por mal, os erros que cometi com os outros foram atitudes que eu interpretei como certas, e como nem todos pensam igual, tornaram-se erros. Mas o que eu fiz em relação a mim tentando acertar e me enganei, não chamo de erro, mas de aprendizado, os piores momentos da minha vida trouxeram grandes felicidades. Porém, de fato, sou estranha. Peça-me para provar algo novo e experimentarei o de sempre. Nem sempre, é claro, mas confesso que me delicio com os mesmo sabores, cores, e lugares, não é que eu não saia da rotina, apenas gosto de saber o que estar por vim, o que não é menos emocionante do que uma surpresa se vc faz sempre o que gosta. No mais, tenho muitos defeitos. Dizem que sou inteligente, mas estão equivocados, esforço-me apenas para estar na frente porque não sou segura o suficiente para ficar atrás. Dizem que sou esforçada, mas não tenho mérito nisso, as circunstâncias sempre me foram favoráveis. Também dizem que sou ciumenta e possessiva, acho que estão certos, sou como alguém que tenta segurar a água fechando as mãos, como se ela não pudesse escorrer por entre meus dedos. Então eu me pergunto se eu gostaria que alguém tentasse me segurar assim e me dou conta de que não sou exatamente a pessoa que consegue seguir as regras. Pelo menos eu tenho a certeza de que também posso escorregar por entre os dedos, todos podemos, até aqueles que mais amamos e a quem mais nos damos, até esses porque o que não é do interesse de alguém pode sufocar mesmo sendo tão bonito quanto é o amor. O que eu mesma não acredito, porque se um de nós, ou melhor, se eu fosse capaz de amar de verdade eu não ousaria fechar a mão. Mas peço, entretanto, que segure a minha mão, seja egoísta e, se possível, não me solte, nem mesmo se eu gritar e quiser sair correndo, ou escorrendo pelo seu braço. Eu preciso mesmo que fique e me sufoque de amor, deixe que me falte o ar, mas não me deixe só. Às vezes que tentei voar voltei porque alguém me segurou quando caí, por isso preciso ficar aqui, eu sempre me lembro de dizer à gravidade que não se esqueça de manter-me no chão. Mas ainda assim, acredito que tenho coisas boas, tenho pelo uma sementinha de amor pra cultivar aqui dentro, e acho que todo aquele que tenta seguir as regras já é virtuoso, mesmo que falhe às vezes, afinal, aquele que sempre acerta não precisa mais de regras e, conseqüentemente, pode partir em direção da luz.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Apenas um Prefácio

Lamento nunca ter escrito um diário. Sempre achei que diários eram tolice, mas percebo agora que, se eu tivesse um em minhas mãos, seria de grande ajuda. Diários descrevem o seu dia, eu sempre quis mais, não digo mais que um dia, digo mais do que se pode escrever sobre o dia. Nem sempre pode tratar-se do dia como uma marcação de tempo, há mais em único dia do que os segundos poderiam contar, entre um segundo e outro, pode haver a imensidão de toda uma vida ou a percepção de que nada foi essa vida. Não sei por que falo dos dias, talvez eu nem percebesse os dias, às vezes tenho a impressão que passei pela vida escondida dos dias, presa numa espécie absurda de bolha de pensamentos ridículos ou torturantes. Porém desejo mais do que nunca dar um salto, queria pular para vida, ou seria da vida? Ainda não sei, mas não posso pular daqui, li em algum lugar que não se pode ir tão adiante sem voltar um pouco, é preciso dar uns passos para traz a fim de conseguir o impulso necessário para dar um pulo. Por isso estou tentando voltar, saber ao certo como cheguei até aqui, mas não me lembro de tudo e não tenho tantas certezas, não sei exatamente em que ponto começa a minha história e a história da minha vida, se ficção e fato se misturarem aqui não me julguem mal, é que talvez minhas maiores verdades não tenham sido vividas ou eu tenha vivido verdades tão sombrias que acreditei não tê-las vivido. Se minha mente conseguisse lembrar porque eu insisto em escrever talvez eu pudesse parar por aqui e não torturasse vocês com tantos pensamentos vagos, mas não há razão nenhuma a não ser esse imenso fogaréu que me consome por dentro as palavras que, de tão sufocadas, saem como fumaça das minhas mãos. Tenho a sensação de que as vezes não escrevo por mim, as vezes as palavras que solto formam frases que não poderiam fazer sentido se algum sentido eu procurar na minha vida, sei que há um sentido em minha vida, e abusando dessa palavra, tenho sentido muito esse sentido nos últimos dias, mas não vejo porque ele me conduz a escrever. Às vezes penso que as palavras precisam sair pra eu respirar, mas a verdade, se é que a verdade poderia sair de mim, é que me alimento das palavras que escrevo, vivo porque elas me mantêm viva, ou talvez não vivo porque elas me alimentam a inexistência. Mas pra mim, tanto faz, há vida na inexistência, há um imenso e aconchegante não ser humano que me conforta e me aquieta. Há um não ser humano extremamente prazeroso na imensidão da inexistência, que de forma alguma é a morte. A inexistência que digo é um estado de alma em que as coisas ao seu redor não mais lhe afligem, nem te tocam, nem te fazem chorar ou sorrir, é um momento único em que se pode deixar de ser o personagem e ser o observador da vida, e então pode-se ver a felicidade em câmera lenta e as pessoas que passam por vc, pode se olhar o que elas falam com a alma porque vc não vê que está tão perto dessa pessoa, olhando-a nos olhos, de uma forma que sobriamente ninguém ousaria. Enfim, a inexistência pode ser repleta de vida e boas recordações, talvez tenha sido na inexistência que eu tomei consciência de que se eu não tornasse tudo isso uma verdade escrita, e verdade apenas porque tangível, não porque não seja mentira, o que não implica em dizer que as coisas não tangíveis não sejam verdades, até porque acredito que minhas maiores verdades nunca poderão ser tangíveis, eu não poderia prosseguir, não há como prosseguir se eu não voltar, estou tentando voltar, porém temo em me perder no caminho, assim como se perderam João e Maria, mas João e Maria se perderam num conto de fadas e não em suas próprias vidas, o que me alivia bastante, ou me apavora muito, porque quem sabe, temendo a verdade, eu tenha entrado num mundo de fantasias.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma poesia À parte, a partir da parte de mim que agora é você.

~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~
De repente, nao mais que de repente
~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~
De repente,
Assim tão repentinamente
Do caos, fez-se a calmaria;
Do pranto, o encanto
Da noite, o dia.

~~ ~~ ~~

De repente,
Ainda que sutilmente,
Veio-me a vida falar de amor
Mostrou-me novos rumores
Novos tons, perfumes
Novos sabores.

~~ ~~ ~~

Assim foi que vi
Azuis, rosas, brancas e amarelas
Borboletas belas
Voando dentro de mim
Brincando entre as flores
Dentro do meu coração, um jardim

~~ ~~ ~~

De repente,
Mais do que nunca, intensamente!
Chegou o amor, ao coração
Do coração ele expulsou, deixou sozinha,
A própria e impertinente solidão

~~ ~~ ~~

De repente
E digo, finalmente,
A alegria renasceu
Do seu sorriso, fez-se o meu
Da sua presença, a minha existência
Da sua existência, a minha esperança
Da tua mão, a minha segurança
Da sua luz, o meu caminho
Do seu caminho,
A minha vida.
Da sua vida, o meu ninho.

Ana C. Fernandes.

sábado, 6 de junho de 2009

Como sempre estive, completa de prazer, nua de corpo e alma.

Não entre.
Deixe que eu chore em paz.
Se minha cabeça não agüenta mais, tão pouco agüenta o coração.
Eu quero a porta fechada, não abra, não mexa em nada.
Deixe meus livros no chão,
Deixe minhas roupas onde estão,
Eu quero a cama desarrumada misturada com os cacos do meu coração.

Não importa que a chuva entre pela janela
Depois a água evapora se o sol entrar
O que o sol não cura é a ferida doída,
Mordida e lambida da sua infinita ausência.
Indiferença sem fim
Fez tão forte a minha dor
Fez tão pouco caso do amor
Só esqueceu-se de levá-lo de mim.

Não suporto portas entreabertas, palavras contidas
Egoístas, escondidas.
Desprovidas de emoção
Camuflando a intenção
De degustar-me inteira
E depois deixar-me inteira
Ao sabor da solidão

O quê vc sabe bem fazer
É roubar-me toda a calma
Acabo vazia de vc, completa de prazer
Nua de corpo e alma.



Ana C. Fernandes.

Não me deixe só, solidão.

A música acabou e o ultimo verso ficou rondando minha cabeça. “Ela apareceu, parecia tão sozinha. Parecia que era minha aquela solidão”.
Um triz e eu não percebo o que estava acontecendo.
Há quem roube os sonhos alheios, eu roubo a solidão.
A solidão é meu maior refúgio, minha maior beleza, minha maior alegria e minha maior tristeza. Não sei andar sem ela, nunca andei. Por todos os lugares por onde passei, ela me deu a mão, me segurou forte, me disse sim, me disse não. Fez de mim menina só, menina grande, de grandes sonhos, de grandes chances, de grandes feitos.
O teu cheiro, o teu beijo, o teu abraço. O seu perfume eu sinto de longe. Um sorriso doído, um olhar perdido, e eu sei que é vc, te roubo pra mim. Não suporto que seja de outra, não me contenho, vou lá e me dou em troca de vc, me dou até que vão todas embora, e te deixam pra mim. Dou-me tanto que te entregam inteira, e se não entregam eu lhe roubo, tiro-te toda, e tiro sem pudor, sem a vergonha de quem faz alguma coisa errada.
Será pra sempre minha, solidão. Se alguém um dia te tirar de mim, acho que padeço, não conheço outra companhia que me complete, que me conheça, que caiba nos meus sonhos, que entenda meus pensamentos.
Quero-te sempre, e te quero toda. Abraça-me forte solidão, durma comigo essa noite e todas as noites, amanheça aqui, fique aqui, não deixe que ninguém se aproxime e não me deixe por ninguém. Não há nesse mundo alguém que te quer tão bem.
Não me deixe só, solidão.

Ana C. Fernandes



domingo, 31 de maio de 2009

Algumas palavras dela

Ela disse que eu tinha um dom, eu ensaiei um sorriso.
Eu sabia conquistar as pessoas, eu não fazia nada que n fosse da minha maneira de ser e ainda assim eu simplesmente conquistava as pessoas.
Vc atrai as pessoas com seu carisma, e vc as afasta quando deposita suas esperanças nelas. Eu fingi que já sabia.
O fato é que, quem atrai as pessoas, as atrai porque precisa delas, e precisar é um dos maiores perigos de viver, quem precisa e não tem, acaba por querer demais.
E ela, ela sabia que não dava pra ser e mesmo assim não foi embora, então eu tive que expulsá-la, chorando, mas tive, porque se ela não vai embora e ainda assim não me alcança, ao mesmo tempo em que eu não a perco, eu não a tenho, e não perder o que não tem, é pior que sonhar que se tem o que não se pode ter.
Quando é assim, dói menos perder de vez do que aos pouquinhos, porque aos pouquinhos a gente também some, há um vazio que consome e não devolve, há um não querer-te que te mastiga; e de uma vez a gente cai, mas depois levanta.
Por isso hoje eu sou direta, eu aviso logo que se vier tem que vir pra ficar, pra me suprir e não me matar. Se quiser, vai ter que me engolir de uma vez, fazer de mim teu capricho e deixar-me as mãos pra que eu possa segurar.
Eu não suporto pessoas que me querem pela metade, eu não existo sendo meio amiga, meio Irma, meio filha, meio mulher. Eu só existo completamente, intensamente, inteira com todo o amor que existe aqui.
Há quem diz que quem vem com tudo não alcança, que o que vem de uma vez assusta. Pra ser sincera eu entendo, mas não mudo. Eu até tento, mas não mudo.
Quem quiser então vai ter que se assustar mesmo, vai ter que ser mais corajoso e mais rápido, antes que eu vá embora, porque nos últimos tempos eu aprendi a ir embora antes de me machucar, a partir antes que partam o coração.
Esse é o dom de quem vive cada momento, de quem faz cada momento intenso o suficiente pra começar ou terminar aquilo que nem sequer estava nos planos. Esse é dom de querer demais e dar demais, esse é o meu dom e o meu maior castigo.

Ana C. Fernandes.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sobre a plenitude do amor.

Esse texto é meu, mas não é pra minha mãe. Ontem eu estive com uma amiga e doeu muito em mim a situação em que ela se encontrava. E doeu mais ainda porque eu lembrei que minha melhor amiga também passa pela mesma situação. E finalmente, doeu demais quando eu pensei que muitas, muitas pessoas mesmo passam pela mesma situação. Então eu me coloquei no lugar delas, eu pensei em cada dia, em cada momento, e foi tão difícil pra mim que eu resolvi escrever uma carta, não pra minha mãe, porque a minha mãe e a minha família conseguem entender o significado do amor, mas muitas mães não. E é para elas que escrevo, em nome de todas as pessoas que amam e querem ser amadas, independente de quem amam.

Mãe,
Estou escrevendo porque não sou corajosa o suficiente pra te dizer tudo o que eu preciso olhando-te nos olhos. Mas eu estou escrevendo porque eu te amo incondicionalmente, vc é a pessoa mais importante que existe na minha vida e está sendo muito difícil pra mim, principalmente nos últimos tempos, conviver com uma decisão que eu gostaria de não precisar tomar. É difícil ter que escolher entre a minha felicidade e a sua felicidade.
Sei que a princípio isso não faz sentido, com certeza você quer meu bem e a minha felicidade é o motivo da sua, assim como a sua felicidade também é motivo da minha. Porém, eu não estou bem, meus dias estão difíceis e doídos.
Eu queria muito, muito mesmo, poder te contar sobre os meus sentimentos, sobre meus amigos, sobre as coisas que a gente faz junto, e principalmente, sobre as pessoas que se aproximam do meu coração.
Infelizmente mãe, eu não sou aquilo que você sonhou. E isso me dói de uma forma que vc não pode sequer imaginar. Eu queria que vc se orgulhasse de mim, eu queria que vc soubesse que é muito importante pra mim a sua participação na minha vida.
E é justamente por isso que estou escrevendo, porque não agüento mais ter que esconder de você o sentimento que é, por excelência, o mais lindo de todos; aquele que move a vida das pessoas, que fazem elas sonharem e crescerem, que faz elas se unirem e construírem uma vida juntas. Esse sentimento não tem cor, não tem raça e, principalmente, não tem forma de mudá-lo. A esse sentimento, chamam de amor.
É isso mãe, eu queria que vc pensasse sobre o amor, sobre como o amor te fez feliz, sobre como ele moveu a sua vida e queria que vc pensasse em como é difícil ir contra esse sentimento.
Eu queria que vc entendesse que por mais que eu tenha tentado, eu não consigo gostar de nenhum garoto, de nenhum rapaz, isso nunca aconteceu e provavelmente não vai acontecer, porque eu me sinto atraída por meninas e são elas que me completam, que me fazem sorrir, que me fazem feliz.
E não é isso que vc quer pra mim mãe? Vc não me quer sorrindo? A minha felicidade não é a sua felicidade?
Sabe, muitas pessoas pensam, e talvez vc tbm pense que isso é uma coisa promíscua. Mas não é verdade, a promiscuidade existe em todos os lugares e entre todos os tipos de pessoas.
Eu só quero a chance de fazer uma pessoa feliz com o seu consentimento, fazer essa pessoas feliz me faria mais feliz ainda, eu só queria poder abraçar essa pessoa tranqüila, olhá-la nos olhos e deixar que ela me completasse, porque as pessoas não foram feitas pra ficarem sozinhas, a solidão dói, e tem me doído muito.
Se eu pudesse fazer um pedido, pediria não ter que escolher entre essa felicidade e a sua felicidade mãe, eu queria que vc ficasse feliz por mim, eu queria que eu pudesse te apresentar alguém e que nós três pudéssemos sair pra conversar, pra fazer compras, pra assistir um filme, como pessoas normais, porque eu sou uma pessoa normal mãe, e as pessoas normais amam.
E acima de tudo, eu amo você, e não quero fazer nada que vc não saiba.
M. C.
Ana C. Fernandes